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Violência Doméstica e Políticas de Proteção

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Jussara Prado

CRP 08/PJ-02243
Mulher Cis Bissexual [ela/dela]

Violência doméstica e políticas de proteção

A violência doméstica é um problema grave que afeta milhões de pessoas no Brasil e no mundo. Mulheres, crianças, idosos e pessoas LGBTQIAPN+ são as principais vítimas desse tipo de violência. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2023), os casos de feminicídio e agressões dentro do lar cresceram nos últimos anos, evidenciando a necessidade de medidas mais eficazes para proteção das vítimas.

A psicologia tem um papel fundamental na compreensão dos impactos da violência doméstica e na formulação de políticas públicas que auxiliem na proteção e reabilitação das vítimas. Este artigo explora o aumento dos casos de violência doméstica, os impactos psicológicos e as políticas de proteção implementadas para combater esse problema.

O Aumento da Violência Doméstica

Os números da violência doméstica no Brasil são alarmantes. Segundo o Atlas da Violência (2022), 70% dos casos de feminicídio ocorreram dentro de casa, sendo o parceiro ou ex-parceiro o principal agressor. O isolamento social durante a pandemia de COVID-19 agravou ainda mais essa realidade, restringindo o acesso das vítimas a redes de apoio e dificultando as denúncias.

Além disso, o relatório do Instituto Patrícia Galvão (2023) mostra que, a cada dois minutos, uma mulher sofre agressão no Brasil. Entre os principais fatores que perpetuam a violência doméstica estão:

Falta de acolhimento social: Muitas vítimas não encontram apoio adequado de familiares ou amigos.

Desigualdade de gênero: Estruturas sociais que reforçam o poder do homem sobre a mulher.

Dependência financeira: Muitas vítimas não possuem renda própria e temem perder estabilidade.

Ciclos de abuso: A violência ocorre em fases, alternando entre agressão e reconciliação, dificultando o rompimento do relacionamento abusivo.

Impactos Psicológicos da Violência Doméstica

A violência doméstica gera traumas profundos e pode levar a consequências psicológicas severas. Estudos da Associação Brasileira de Psicologia (ABP, 2023) apontam que vítimas de violência doméstica apresentam maior incidência de transtornos como depressão, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Além disso, a exposição prolongada ao abuso pode levar à perda da autoestima e ao desenvolvimento de dependência emocional em relação ao agressor.

  • Transtornos emocionais: Depressão, ansiedade e insônia são comuns entre as vítimas.
  • Impacto em crianças: Crianças que crescem em lares violentos têm maior risco de desenvolver problemas emocionais e repetir padrões abusivos na vida adulta.
  • Síndrome da mulher agredida: O ciclo da violência faz com que muitas mulheres tenham dificuldade em romper com o relacionamento abusivo.
  • Efeitos no ambiente de trabalho: Muitas vítimas sofrem queda na produtividade e dificuldades em manter vínculos profissionais devido ao impacto psicológico da violência

Políticas de Proteção às Vítimas

Nos últimos anos, o Brasil implementou diversas políticas públicas para proteger as vítimas de violência doméstica. Algumas das principais iniciativas incluem:

1. Lei Maria da Penha (2006)

A Lei Maria da Penha é um marco na luta contra a violência doméstica no Brasil. Criada em 2006, a legislação prevê medidas protetivas para as vítimas, como afastamento do agressor, acesso a casas de abrigo e acompanhamento psicológico.

Desde sua implementação, a Lei Maria da Penha tem sido fundamental na redução da impunidade, possibilitando uma maior proteção para mulheres em situação de violência.

2. Medidas Protetivas de Urgência

As medidas protetivas de urgência garantem que a vítima possa se afastar do agressor sem precisar de um boletim de ocorrência. Entre as medidas estão:

  • Afastamento imediato do agressor do lar.
  • Proibição de contato com a vítima.
  • Monitoramento eletrônico do agressor.
  • Bloqueio de bens do agressor em casos de dependência financeira da vítima.

A rapidez na concessão dessas medidas é essencial para evitar que a violência se agrave.

3. Delegacias Especializadas e Casas de Abrigo

As delegacias especializadas no atendimento à mulher foram criadas para oferecer um suporte mais humanizado e eficiente às vítimas. Além disso, as casas de abrigo garantem um espaço seguro para aquelas que precisam se afastar do agressor.

  • Desafios: Muitas cidades brasileiras ainda não possuem delegacias especializadas, dificultando o atendimento.
  • Avanços: Novas políticas buscam ampliar a rede de apoio com a criação de mais unidades.
  • Projetos futuros: Ampliação de casas de abrigo e incentivos à reinserção profissional de vítimas.

4. Aplicativos de Denúncia e Canais de Apoio

A tecnologia tem sido uma aliada na luta contra a violência doméstica. Aplicativos como o SOS Mulher e o Liga 180 permitem que vítimas denunciem abusos de forma rápida e discreta.

  • Facilidade no acesso: Aplicativos garantem maior sigilo para denúncias.
  • Integração com a polícia: O acionamento imediato de autoridades aumenta a segurança da vítima.
  • Plataformas de suporte psicológico: Muitos apps oferecem suporte emocional online

Desafios na Proteção às Vítimas

Apesar dos avanços, ainda existem muitos desafios na implementação eficaz das políticas de proteção:

  • Falta de estrutura e orçamento: Muitas delegacias especializadas carecem de recursos para atender adequadamente às vítimas.
  • Desconfiança no sistema judiciário: Muitas mulheres temem que seus casos não sejam levados a sério.
  • Ciclo da violência: Muitas vítimas acabam retornando para seus agressores por falta de apoio psicológico e financeiro.
  • Baixa eficácia de penas para agressores: Muitos reincidem na violência devido à impunidade.

Estratégias para Fortalecer a Proteção

Para que as políticas públicas sejam mais eficazes, algumas estratégias devem ser aprimoradas:

  • Ampliação das delegacias especializadas: Mais unidades de atendimento à mulher devem ser criadas.
  • Capacitação de profissionais: Policiais, assistentes sociais e psicólogos precisam ser treinados para lidar com vítimas de violência doméstica.
  • Programas de reabilitação para agressores: Medidas educativas e terapêuticas podem reduzir a reincidência da violência.
  • Maior acesso a suporte psicológico e financeiro: Muitas mulheres não conseguem sair de relações abusivas por dependência econômica.
  • Incentivos à independência financeira da vítima: Programas de capacitação e empregabilidade para mulheres que saem de relações abusivas.

Conclusão

A violência doméstica continua sendo um grande desafio no Brasil, mas avanços significativos foram conquistados com políticas de proteção às vítimas. No entanto, ainda há muito a ser feito para garantir que essas medidas sejam eficazes e acessíveis para todos que precisam.

A psicologia tem um papel fundamental no suporte às vítimas, ajudando na recuperação emocional e no fortalecimento da autoestima. Além disso, é essencial que a sociedade como um todo se engaje na luta contra a violência doméstica, promovendo conscientização e apoio às vítimas.

Referências

Este artigo tem o objetivo de informar e conscientizar sobre a importância de fortalecer políticas de proteção contra a violência doméstica. Se você ou alguém que conhece está em situação de risco, busque ajuda através dos canais oficiais como o Ligue 180.

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