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Em um mundo acelerado e cheio de estímulos digitais, encontrar momentos de pausa tornou-se essencial para a manutenção da saúde mental. Você já notou como o simples ato de colorir ou rabiscar pode trazer uma sensação imediata de alívio? A pintura como prática terapêutica é uma ferramenta poderosa e acessível para quem busca regulação emocional, autoconhecimento e redução do estresse.
Neste artigo, vamos explorar como materiais simples — como lápis de cor, marcadores e tintas — podem se transformar em aliados do seu bem-estar. Seja você uma pessoa neurotípica ou neurodivergente, a arte oferece um refúgio seguro onde não existe “certo” ou “errado”, apenas a liberdade de ser.
O que é a Pintura como Prática Terapêutica?
A pintura como prática terapêutica refere-se ao uso intencional da expressão artística para promover saúde e equilíbrio psíquico. Não se trata de ter talento técnico ou criar obras para museus, mas de utilizar o processo criativo para externalizar sentimentos que, muitas vezes, as palavras não conseguem alcançar.
Ao focar nas cores, texturas e no movimento das mãos, o cérebro entra em um estado de atenção plena (mindfulness). Esse processo ajuda a diminuir a atividade da amígdala (responsável pela resposta de luta ou fuga) e a ativar o córtex pré-frontal, melhorando a clareza mental. Estudos indicam que atividades manuais e artísticas podem reduzir significativamente os níveis de cortisol, o hormônio do estresse.
Diferença entre Atividade Terapêutica e Arteterapia
É fundamental fazer uma distinção ética importante. Embora colorir em casa seja terapêutico, isso não é o mesmo que fazer Arteterapia.
• Atividade Terapêutica: É o que você faz em casa (pintar mandalas, usar livros de colorir, desenhar livremente). Gera bem-estar, relaxamento e prazer.
• Arteterapia: É uma especialidade da Psicologia ou campo próprio, conduzida por uma profissional qualificada. Envolve um processo clínico, vínculo terapêutico e intervenções específicas para tratar questões profundas de saúde mental.
Ambas são valiosas, mas servem a propósitos diferentes. A pintura como prática terapêutica é um excelente complemento ao autocuidado diário.
5 Benefícios da Arte para o Cérebro

1. Regulação Emocional: A pintura permite que a pessoa expresse raiva, tristeza ou alegria de forma segura. É uma “válvula de escape” saudável para emoções intensas.
2. Redução da Ansiedade: O movimento repetitivo de preencher espaços com cor (como em livros de colorir) induz um estado meditativo, acalmando o sistema nervoso autônomo.
3. Estímulo Cognitivo: Escolher cores e planejar o desenho exercita áreas do cérebro ligadas à organização e resolução de problemas, mantendo a mente ágil.
4. Aumento da Autoestima: Concluir uma pintura, por mais simples que seja, libera dopamina (o neurotransmissor da recompensa), gerando sensação de capacidade e realização.
5. Conexão Ancestral: Diversos povos indígenas utilizam artesanatos e pinturas não apenas como arte, mas como medicina e conexão espiritual. O fazer manual é uma sabedoria milenar de cura.
Neurodivergência: Pintura no TDAH e Autismo

Para pessoas neurodivergentes, a pintura como prática terapêutica assume um papel ainda mais estratégico.
• Para o TDAH: A pintura pode funcionar como um item do Dopamenu (cardápio de dopamina). Colorir enquanto ouve um podcast ou aula pode servir como um “fidget” (estímulo secundário) que ajuda a manter o foco na atividade principal, ocupando a parte do cérebro que buscaria distrações.
• Para o Autismo: A arte pode ser uma forma de comunicação não verbal, especialmente útil em momentos de sobrecarga sensorial ou shutdown. Além disso, a previsibilidade de colorir padrões geométricos ou o interesse especial em técnicas de pintura podem ser fontes de autorregulação e alegria (autistic joy).
Materiais Acessíveis: Comece com o que Você Tem

Não deixe que a falta de materiais profissionais impeça você de começar. A eficácia da pintura como prática terapêutica está na ação, não na ferramenta. Experimente:
• Lápis de Cor: Ótimos para controle e precisão. Permitem graduações de cor suaves.
• Marcadores e Canetinhas: Cores vibrantes e resultado rápido. Excelentes para quem busca satisfação visual imediata.
• Giz de Cera: Proporcionam uma experiência sensorial tátil e fluida, permitindo traços mais livres e menos rígidos.
• Tintas (Aquarela ou Guache): A fluidez da tinta ensina a lidar com o “imprevisível” e o “erro”, exercitando a flexibilidade cognitiva.
Conclusão: Um Convite para Colorir a Vida
Incorporar a pintura como prática terapêutica na sua rotina é um ato de carinho consigo. É abrir um espaço na agenda para o lúdico, para o descanso mental e para a expressão genuína. Lembre-se: o objetivo não é a perfeição estética, mas o processo de cura e descoberta que acontece a cada traço.
Que tal separar alguns minutos hoje, pegar aquela caixa de lápis guardada e colorir suas emoções?
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Nota: Este conteúdo é educativo. Se você sente que precisa de apoio para lidar com sofrimento psíquico intenso, procure ajuda profissional de psicólogas especializadas
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